terça-feira, 14 de agosto de 2012

IASSODARA MARIA FERREIRA E SILVA



 Iassodara Maria Ferreira e Silva, natural de Fortaleza-CE, nascida  no dia 29 de maio de 1965, a pioneira na Base da Petrobras de Mossoró.

INGRESSO NA PETROBRAS
Trabalhava com uma contratada da Araújo S/A, que oferecia seus serviços para a Asfor [Asfalto Fortaleza], atual Lubnor [Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste]. Dentro desta empresa contratada, fiquei sabendo de um concurso para instrumentista na Petrobras. Fiz sem muita esperança. Não sabia nem o que era instrumentação. Passei e fui chamada para Mossoró. Instrumentação é a área responsável pela parte de calibração das grandes máquinas e instrumentos em geral. Fui trabalhar na instrumentação do Campo diretamente.

COTIDIANO DE TRABALHO
Trabalho Feminino
A princípio, trabalhar no Campo do Riacho da Forquilha foi ruim, porque eu era a única mulher. Os próprios operadores se admiravam. Isso causava um certo impacto. As instalações não eram apropriadas para mulheres. Não havia sequer banheiro feminino. Mas o trabalho, em si, era muito bom. Me identifiquei totalmente com essa parte de instrumentação. Aprendi demais. A Petrobras me deu espaço para aprender. Na Petrobras, se você quiser, aprende tudo. Só depende de você. O trabalho é desgastante, porque no Campo, por ser uma área árida, tem a questão climática, além do fato de trabalhar só com homens durante muito tempo. No começo, os homens tinham bastante preconceito. Eu sequer podia falar e pensava que tinha que arranjar uma forma de ter voz. Entendi que seria através de conhecimento. Sabendo o que estava fazendo, teria reconhecimento. Aprendi muita coisa, participei de pré-operações na Área Sul de Mossoró. Fui pioneira, porque participei da construção, da pré-operação, de tudo. Hoje, esta área está enorme e produzindo muito gás e óleo. Isso, para mim, é uma satisfação enorme. Trabalhei nessa Área durante 12 anos. Só saí, porque estava na minha segunda gravidez. Meus filhos precisavam de maior atenção, mas, por mim, ainda estaria no Campo sem problemas. Não que eu não goste de estar aqui! Na base, o serviço é ótimo. Continuo trabalhando com instrumentação. Não quero sair dessa área, mas prefiro trabalhar no Campo. É um serviço extremamente gratificante poder chegar próximo a uma máquina enorme e que está com algum problema. Você chega lá e resolve tal problema. Vê que dominou a máquina, e, pessoalmente, isso é tudo. Nada se compara a isso. Enquanto trabalhava no Campo, teve outra mulher que trabalhou durante um ano lá. Tentei, a todo custo, convencê-la a ficar, mas ela não agüentou. Sentia falta de mulheres no trabalho, para poder conversar “coisas de mulher”. Por melhores que sejam seus amigos homens, para certas coisas, queremos uma amiga mulher.

HISTÓRIAS / CAUSOS / LEMBRANÇAS
Sede

Minha lembrança mais marcante foi o primeiro dia em que cheguei e fui para o Campo. Só iria trocar uma garrafa de nitrogênio, em um determinado vaso separador, em Leste de PX [Poço Xavier]. Estávamos programados para ir e voltar antes do almoço. Quando chegamos lá, surgiram vários outros problemas de instrumentação, que tivemos que reparar. Acabamos ficando até às três horas da tarde, sem água, sem almoço, sem nada. Nesse horário já não agüentava mais de sede e disse que tínhamos que procurar algum lugar para tomarmos água. Encontramos uma poça de água barrenta mesmo. Olhei para a água barrenta com uma sede tremenda, mas só tive coragem de lavar minhas mãos. Depois, achamos um casebre de taipa, nos apresentamos mostrando o crachá e falamos que estávamos com muita sede e que tínhamos esquecido de trazer água. A senhora entrou e trouxe uma água idêntica à que estava na poça, da mesma cor barrenta. Olhei para o meu colega. Ele olhou para mim. Com nossa sede, poderíamos tomar uns 10 copos daqueles, sem problemas! E tomei satisfeita! Fomos embora e, no caminho, ficamos conversando sobre como poderia tal situação. Eu iria tomar a água da poça, porque minha sede era insuportável. Quando cheguei em uma casa, a água era a mesma. Isso me marcou. Acho que foi aquela água que fez com que eu ficasse ali tanto tempo! Ainda hoje penso nisso. Gostava de trabalhar ali, onde muitas pessoas não gostavam pelo fato do trabalho ser muito rude.

OPERÁRIA PADRÃO
Em 1995, fui escolhida como Operária Padrão da região. Isso foi uma honra muito grande. Trabalhava no Campo ainda. Desde setembro de 2003, sou Supervisora. Fui a primeira mulher a se tornar Supervisora na UN-RNCE [Unidade de Negócios do Rio Grande do Norte e do Ceará]. Isso foi outra honra. Trabalhar na Petrobras é tudo. Amo essa Empresa. Adoro trabalhar aqui. Jamais pensei em sair.

SINDICATO
Sou filiada ao Sindicato. Uma das principais conquistas do Sindicato para os empregados foi a questão da segurança do trabalho. Em 1994 ou 1995, estávamos em Riacho da Forquilha, fazendo uma pré-operação durante a noite. Chovia, caiam raios e a Estação não tinha pára-raios. Estávamos no escuro e usávamos refletores. Tínhamos que fazer, de qualquer maneira, aquela pré-operação nesta sexta-feira, uma véspera de carnaval. Hoje, com toda a política de segurança da Petrobras isso seria inadmissível. O Sindicato se concentra muito nisso.

RELAÇÃO PETROBRAS E SINDICATO

A relação entre o Sindicato e a Empresa está bem melhor. Existe um certo diálogo. Antes, era uma verdadeira guerra, uma batalha. Com as novas gerências, com uma mudança de visão, há um debate mais civilizado. Nota-se claramente que está tudo está mais racional.

PROJETO MEMÓRIA PETROBRAS
Acho este Projeto muito importante. Quando fui chamada, ontem, passei a noite pensando nisto e até escrevi algumas coisas. Pensava o que poderia ter para falar. Agora, estando aqui, estou achando ótimo! Se soubesse, teria vindo antes!
FONTE: SITE DA PETROBRAS

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